Ataque massivo durante a noite atinge várias regiões da Ucrânia
Na madrugada de segunda-feira, a Ucrânia sofreu o maior bombardeio de drones e mísseis desde o início da invasão em larga escala da Rússia em 2022. De acordo com a Força Aérea Ucraniana, as forças do Kremlin implantaram um total impressionante de 499 ameaças aéreas no espaço aéreo ucraniano — incluindo 479 drones de combate do tipo Shahed e 20 mísseis de vários tipos. Esta ofensiva sem precedentes ocorreu poucos dias após o que havia sido relatado anteriormente como o ataque de drones mais extenso em 1º de junho, que envolveu 472 drones.
As autoridades de Kiev confirmaram que os sistemas de defesa aérea interceptaram 460 drones e 19 mísseis. Apesar desses esforços, danos foram relatados em dez locais de impacto confirmados, com destroços caindo em dezessete áreas diferentes. Os ferimentos civis foram mínimos, embora várias pessoas tenham ficado feridas nas regiões de Riwne, Saporischschja, Dnipropetrowsk e Kharkiw. Em Kharkiw, as forças russas usaram bombas planadoras guiadas, intensificando a devastação neste reduto oriental.
Polônia reage quando ataques se aproximam da fronteira da OTAN
A Polônia, país membro da OTAN que faz fronteira com a Ucrânia ocidental, foi obrigada a responder. À medida que os ataques aéreos russos se intensificavam sobre a região de Riwne, o exército polonês relatou ter enviado caças juntamente com os de nações aliadas. Segundo o Estado-Maior de Varsóvia, essas precauções foram consideradas necessárias devido à escala e à proximidade dos bombardeios.
O prefeito de Riwne, Oleksandr Tretjak, descreveu o incidente como o maior ataque aéreo já visto na região. Simultaneamente, sirenes de ataque aéreo soaram em diversas regiões ucranianas durante a noite e pela manhã, ressaltando a natureza generalizada do ataque.
EUA e Ucrânia anteciparam o ataque
Antes do ataque, a inteligência americana havia emitido alertas no fim de semana sobre um provável ataque russo em larga escala. A previsão se mostrou precisa, visto que a ofensiva atingiu infraestrutura militar e civil. O contexto para essa escalada inclui a estagnação diplomática em curso. Embora tenham ocorrido novas negociações entre as delegações russa e ucraniana na Turquia, nenhum progresso significativo se materializou. Autoridades ucranianas afirmam que somente a força impedirá a continuação da agressão por parte de Moscou.
O principal conselheiro presidencial ucraniano, Andriy Yermak, declarou categoricamente que "a Rússia está intensificando a guerra e não tem intenção de interrompê-la". Ele enfatizou que a estratégia de Moscou parece cada vez mais focada em sobrecarregar a Ucrânia com pressão aérea contínua.
Ucrânia responde com ataque de drone de longo alcance a instalações russas
A Ucrânia não permaneceu passiva diante dessa ofensiva. Em um ousado contra-ataque, Kiev teria realizado uma operação de drones em solo russo, danificando uma planta industrial-militar localizada na República da Chuváchia, a cerca de 600 quilômetros a leste de Moscou. A instalação da VNIIR, alvo do ataque, é conhecida por produzir componentes eletrônicos, incluindo peças críticas usadas nos drones Shahed, frequentemente utilizados pela Rússia em seus ataques.
As autoridades regionais da Chuváchia confirmaram que dois drones atingiram a instalação, levando à suspensão temporária das operações. Não houve relatos de feridos, mas os danos levaram à adoção imediata de protocolos de segurança e à interrupção da produção. Fontes ucranianas identificaram a instalação como um alvo militar legítimo, envolvido na sustentação das capacidades ofensivas russas.
Troca de prisioneiros interrompida em meio a tensões crescentes
O aumento da atividade militar ocorreu em meio ao atraso na troca de prisioneiros entre a Rússia e a Ucrânia, inicialmente programada para o fim de semana anterior. O chefe da inteligência militar ucraniana, Kyrylo Budanov, indicou que a troca poderá ocorrer ainda esta semana, embora nenhum cronograma definitivo tenha sido confirmado. O aumento das hostilidades provavelmente complicará ainda mais esses esforços.
Putin não mostra sinais de redução da guerra
Apesar das perdas crescentes e dos apelos internacionais por uma redução da tensão, o presidente russo, Vladimir Putin, não demonstrou nenhuma inclinação para reduzir a intensidade da guerra. Analistas observam que as táticas aéreas mais recentes da Rússia fazem parte de uma campanha mais ampla para desestabilizar a resistência ucraniana e, ao mesmo tempo, pressionar os aliados ocidentais.
Com seu investimento contínuo em guerra com drones e ataques com mísseis de longo alcance, Moscou parece empenhada em testar as defesas aéreas da Ucrânia ao máximo. Por sua vez, a Ucrânia está cada vez mais atacando locais estratégicos em território russo, sinalizando uma mudança em sua abordagem para combater as vantagens tecnológicas e logísticas da Rússia.
Os acontecimentos ressaltam uma escalada alarmante em ambos os lados, gerando incerteza sobre futuras negociações de paz e as perspectivas humanitárias imediatas para os civis presos nas zonas de conflito.
