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Alemanha planeja repressão imediata na fronteira sob novo governo

by WeLiveInDE
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O novo governo alemão, sob o comando do chanceler designado Friedrich Merz, está se preparando para iniciar uma repressão abrangente à migração irregular a partir desta semana. O Ministro do Interior designado, Alexander Dobrindt (CSU), confirmou que emitirá uma diretiva para reforçar os controles de fronteira e aumentar as rejeições de migrantes já na quarta-feira, marcando um dos primeiros atos do novo governo.

Dobrindt afirmou que o número de travessias irregulares de fronteira continua muito alto e precisa ser reduzido urgentemente. Ele enfatizou que, embora a migração não possa ser gerenciada apenas na fronteira nacional, o reforço dos controles é parte essencial da solução. "Precisamos de mais controles de fronteira e mais rejeições", disse Dobrindt, acrescentando que as rejeições existentes já demonstraram impacto inicial. Ele prometeu expandir essa abordagem, afirmando que a política migratória da Alemanha passará por uma mudança fundamental.

Medidas de fronteira incluirão vigilância aérea e novos postos policiais

Para implementar a estratégia, o governo planeja mobilizar milhares de policiais adicionais, além dos 11,000 policiais federais já alocados nas fronteiras. Ministros do Interior de estados como Baden-Württemberg já prometeram apoio, anunciando a expansão das operações perto da fronteira com a Suíça e o aumento da vigilância aérea.

Apesar das preocupações com a capacidade da polícia, Dobrindt argumentou que simplificar os procedimentos de processamento de migrantes reduziria a carga sobre as autoridades policiais. Ele também anunciou planos para criar novos cargos policiais, embora não tenha especificado um número-alvo.

As operações futuras, explicou ele, serão adaptadas por tipo de caso. Grupos vulneráveis ​​não seriam afetados imediatamente, mas o governo pretende começar com casos em que a rejeição acelerada seja legalmente viável. "Este é um processo", disse ele, indicando que algumas categorias de requerentes de asilo seriam priorizadas para retorno imediato.

Tensões com a Polônia sobre controles de fronteira

O governo polonês manifestou fortes objeções aos planos, alertando que uma fiscalização mais rigorosa nas fronteiras poderia perturbar o mercado interno da União Europeia e prejudicar as comunidades transfronteiriças. O principal enviado da Polônia em Berlim, Jan Tombinski, afirmou que os controles atuais já estão prejudicando a circulação entre os dois países e que qualquer escalada seria difícil de explicar internamente.

A Polônia apoia o fortalecimento das fronteiras externas da UE, especialmente com a Rússia e a Bielorrússia, mas insiste que a mobilidade interna em Schengen deve permanecer intacta. Varsóvia está particularmente preocupada com o momento político, com eleições presidenciais marcadas para 18 de maio. O novo chanceler alemão, Friedrich Merz, deve visitar o presidente polonês, Donald Tusk, na próxima semana.

Dobrindt descartou os avisos de Varsóvia como "teatro político" e insistiu que os procedimentos já estavam estabelecidos há muito tempo e em conformidade com a lei europeia.

Apoio e críticas na Alemanha

Embora a coalizão formada por CDU, CSU e SPD apoie amplamente a mudança de política, a oposição tem se mostrado célere em expressar dúvidas. A líder do Partido Verde, Britta Haßelmann, questionou a viabilidade de rejeitar requerentes de asilo na fronteira sem violar a legislação da UE. Ela comparou a nova nomeação de Dobrindt à sua tentativa fracassada como ministro dos Transportes de implementar um pedágio para carros, que acabou sendo declarado ilegal.

Haßelmann previu que as rejeições propostas enfrentariam em breve contestações legais, especialmente no que diz respeito à compatibilidade com as regulamentações europeias de asilo. Críticos argumentam que tais rejeições podem ser consideradas expulsões coletivas ilegais.

Apesar dos riscos legais, Dobrindt enfatizou que essa nova direção conta com um apoio mais forte do Gabinete do Chanceler do que iniciativas anteriores da última grande coalizão. "A diferença é clara: agora há mais apoio do topo", disse ele.

Estratégia mais ampla inclui processamento de asilo fora da UE

Além das medidas nacionais, o novo governo está promovendo uma abordagem revisada em nível europeu. O Chefe de Gabinete designado por Merz, Thorsten Frei, afirmou que o processamento de pedidos de asilo deveria ser terceirizado para países fora da UE classificados como Estados terceiros seguros. Frei também pediu novas estruturas para agilizar as deportações para países fora da UE.

Paralelamente, o governo pretende reavaliar os compromissos individuais assumidos no âmbito dos programas humanitários da administração anterior. Cerca de 2,600 cidadãos afegãos com acordos de reassentamento pendentes aguardam atualmente decisões sobre vistos. Frei afirmou que cada caso será analisado individualmente e que as promessas existentes poderão ser revogadas caso os critérios legais não sejam cumpridos.

Foco doméstico: conter o apoio à AfD

Dobrindt vinculou a questão migratória diretamente às tensões políticas internas na Alemanha, particularmente à ascensão do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD). Ele afirmou que a migração irregular descontrolada contribui para a polarização social e mina a confiança pública. Com a AfD conquistando apoio significativo nos estados do leste, Dobrindt argumentou que uma ação visível sobre a migração era essencial para restaurar a unidade.

Ele espera que a nova direção reduza as divisões e retome o controle sobre um debate que domina a política alemã há anos. "Precisamos retomar o controle sobre a imigração ilegal se quisermos manter este país unido", disse Dobrindt.

Unidade da Coalizão e Apelo aos Eleitores

A líder do SPD e primeira-ministra do estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Manuela Schwesig, instou a base de seu partido a apoiar a nova coalizão, descrevendo-a como um teste crucial para a democracia alemã. Em muitas regiões, observou ela, nem a CDU nem o SPD receberam a maioria dos votos — estes foram para a AfD. Schwesig apelou à cooperação dentro do novo governo federal para garantir estabilidade e reconquistar a confiança dos eleitores.

Ela pediu à coalizão que priorizasse as reais necessidades dos cidadãos: emprego seguro, moradia acessível e acesso a educação e creches de qualidade. Schwesig também pressionou por uma cooperação mais forte com os governos regionais e locais, afirmando que eles frequentemente alertavam com antecedência quando as políticas nacionais estavam falhando.

Governo Merz enfrenta semana crítica

Enquanto Merz se prepara para assumir o cargo e apresentar sua agenda política, o reforço dos controles migratórios emergiu como uma questão definidora de sua administração. De Varsóvia a Berlim, o debate se intensifica, com implicações jurídicas, diplomáticas e humanitárias se desdobrando simultaneamente. Para o novo governo, os próximos dias testarão tanto sua unidade quanto sua capacidade de implementar mudanças políticas abrangentes sob pressão.

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