O Ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, visitou Kiev esta semana para reafirmar o apoio militar da Alemanha à Ucrânia e revelou um novo pacote de ajuda avaliado em € 1.9 bilhão. Isso eleva a assistência militar total da Alemanha para 2025 a um valor estimado de € 9 bilhões, sujeito à aprovação do Bundestag.
Durante uma coletiva de imprensa com o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy, Pistorius destacou que os fundos adicionais seriam direcionados para mísseis guiados de precisão, drones e sistemas de armas de longo alcance. Os dois países também anunciaram planos para desenvolver esses sistemas em solo ucraniano, com previsão de início da produção dentro de alguns meses.
A iniciativa conjunta visa fundir o financiamento alemão com as tecnologias ucranianas testadas em combate. Zelenskyy destacou que a indústria de defesa ucraniana ainda tem potencial inexplorado, enquanto a Alemanha vê a cooperação como uma oportunidade para ganhos tecnológicos que podem beneficiar a Bundeswehr a longo prazo.
Apesar dos apelos persistentes de autoridades ucranianas, a Alemanha descartou a entrega de mísseis de cruzeiro Taurus, com Pistorius afirmando claramente: "Não estamos considerando isso".
As baixas na Rússia chegam a um milhão de pessoas
De acordo com relatórios recentes de inteligência do Reino Unido e da Ucrânia, a Rússia sofreu aproximadamente um milhão de baixas — mortas ou feridas — desde que sua invasão em grande escala da Ucrânia começou em 2022. O Ministério da Defesa do Reino Unido estima que 250,000 soldados russos foram mortos ou permanecem desaparecidos e presumivelmente mortos.
Só em 2025, estima-se que as forças russas tenham perdido mais de 200,000 soldados, com as forças armadas ucranianas relatando uma média de 1,250 baixas russas por dia. Esses números representam as maiores perdas da Rússia em campos de batalha desde a Segunda Guerra Mundial.
O briefing do Reino Unido sugere que a Rússia continua a pressionar com força esmagadora, apesar do impacto. A estratégia militar russa ainda parece favorecer ataques em massa projetados para aumentar as defesas ucranianas, especialmente em regiões-chave como Kharkiv.
Civis feridos em pesados ataques russos em Kharkiv
Nos últimos dias, a região de Kharkiv foi alvo de outra onda intensa de ataques russos com drones e bombas planadoras. O governador regional, Oleh Syniehubov, informou que 15 pessoas ficaram feridas nos últimos ataques, incluindo quatro crianças. A infraestrutura civil sofreu danos significativos, incluindo escolas, prédios residenciais e veículos.
Em toda a região de Kharkiv, 11 prédios de apartamentos e duas instituições de ensino foram atingidos, destacando a vulnerabilidade contínua das cidades ucranianas próximas à fronteira com a Rússia. Ataques semelhantes foram relatados no sul da Ucrânia, incluindo incêndios em armazéns na região de Odessa.
Apesar do bombardeio aéreo implacável, a resiliência local permanece forte. Correspondentes da DW em terra descrevem cenas de civis retornando aos cafés e à vida cotidiana poucas horas após os ataques noturnos. No entanto, a pressão sobre os defensores da Ucrânia está aumentando. Ouvidores militares expressaram preocupações com o esgotamento dos soldados e a separação prolongada de suas famílias.
Ucrânia atinge instalação eletrônica militar perto de Moscou
As Forças Armadas da Ucrânia reivindicaram a responsabilidade por um ataque bem-sucedido de drones à fábrica da Rezonit, na região russa de Moscou, conhecida pela produção de componentes eletrônicos para armamento avançado. Explosões foram registradas no local, o que marca mais um exemplo da capacidade de longo alcance dos drones da Ucrânia.
Isso faz parte de um padrão crescente de ataques ucranianos em território russo, desafiando a expectativa de Moscou de imunidade a tais ataques. Ataques anteriores a bases aéreas russas demonstraram a capacidade da Ucrânia de adaptar seus métodos de guerra por meios não convencionais.
Debate diplomático se intensifica na Alemanha
A posição firme da Alemanha em relação à Ucrânia permanece politicamente controversa. O presidente do SPD, Lars Klingbeil, distanciou-se publicamente de um grupo de colegas sociais-democratas que recentemente defenderam uma nova direção diplomática com a Rússia. Klingbeil reafirmou que o apoio militar à Ucrânia não será reduzido sob sua liderança.
O "manifesto", como foi apelidado, defende uma diplomacia renovada e critica a ideia de armar a Ucrânia como via para negociações. No entanto, figuras-chave dentro do SPD, incluindo Klingbeil e Pistorius, rejeitaram essa visão. Ambos sustentam que o apoio à Ucrânia e o engajamento na diplomacia não são mutuamente exclusivos.
O ex-líder do SPD, Norbert Walter-Borjans, defendeu o manifesto, alertando contra o que chamou de "frenesi de armamento", mas reconheceu que a diplomacia por si só não consegue deter um Kremlin beligerante. O porta-voz de relações exteriores da CDU, Johann Wadephul, também enfatizou que a Rússia atualmente não demonstra disposição para negociações genuínas.
UE e G7 reforçam medidas econômicas contra a Rússia
Em uma recente cúpula de ministros das Relações Exteriores em Roma, líderes de vários estados da UE anunciaram novas sanções contra os pilares da economia russa. As medidas incluem a redução do teto de preços do petróleo russo — possivelmente reduzindo o limite de US$ 60 para US$ 45 por barril — e novas tarifas sobre importações agrícolas e químicas, como açúcar, vinagre e fertilizantes.
Essas ações visam esgotar os recursos financeiros que permitem os esforços de guerra da Rússia. Os estados-membros da UE concordaram em manter os ativos russos congelados até que Moscou concorde em cessar as hostilidades e compensar a Ucrânia pela destruição causada pela guerra.
Ecos dos EUA pedem paz no Dia da Rússia
Em um gesto simbólico no feriado nacional da Rússia, o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, emitiu uma declaração apoiando as negociações de paz e uma relação bilateral mais estável. Ele reafirmou o apoio de Washington ao povo russo e expressou esperança em um futuro de cooperação mútua. No entanto, a mensagem de Rubio foi clara em seu alinhamento com uma paz baseada na soberania e segurança ucranianas.
Embora as trocas de prisioneiros entre a Rússia e a Ucrânia continuem esporadicamente, ainda há pouco progresso substancial em direção a um cessar-fogo ou negociações formais.
A estratégia militar está mudando para a guerra eletromagnética
À medida que a guerra evolui, ambos os lados investem cada vez mais em guerra eletromagnética. Pistorius enfatizou a crescente relevância dos sistemas de comunicação, interferência eletrônica e defesa com drones. Essas formas emergentes de combate começaram a ofuscar a dependência tradicional de tanques e jatos.
A Alemanha e o Reino Unido estão colaborando para reforçar a infraestrutura de defesa aérea da Ucrânia, já que o apoio dos EUA se torna menos previsível. Pistorius convocou uma coalizão internacional para proteger e aprimorar as capacidades de combate eletromagnético da Ucrânia, tornando-a uma nova fronteira nesta longa guerra.
