A Alemanha ampliou discretamente o grupo de pessoas que podem ser enviadas de volta ao Afeganistão. Um decreto emitido pela polícia federal (Bundespolizei) em 10 de julho de 2026 revogou uma restrição anterior que limitava as deportações de afegãos a criminosos condenados e pessoas classificadas como ameaças à segurança. Como resultado, afegãos sem antecedentes criminais agora podem ser detidos para deportação e enviados de volta a um país governado pelo Talibã. A mudança foi feita por meio de instrução interna, e não por uma nova lei, e gerou fortes críticas de grupos de direitos humanos.
Até agora, a política oficial seguia o acordo de coalizão de 2025 entre a CDU/CSU e o SPD, que prometia deportações para o Afeganistão e a Síria “começando por criminosos e indivíduos perigosos”. O novo decreto remove essa restrição no nível operacional, permitindo que as autoridades apresentem um grupo mais amplo de cidadãos afegãos a representantes do Talibã para identificação e documentos de viagem.
O que o decreto altera em relação às deportações de afegãos?
De acordo com as regras anteriores, a Bundespolizei (Polícia Federal Alemã) só podia encaminhar afegãos classificados como Straftäter (pessoas condenadas por crimes) ou Gefährder (indivíduos considerados uma ameaça à segurança). O decreto de 10 de julho elimina esse filtro. Segundo reportagens do Tagesspiegel e da emissora hessiana hessenschau, agora as pessoas podem ser consideradas para deportação se forem do sexo masculino, maiores de idade, solteiras e sujeitas a uma ordem de deportação válida, independentemente de terem sido ou não condenadas por qualquer crime.
Certos grupos permanecem excluídos por enquanto. Mulheres, crianças, pessoas gravemente doentes e indivíduos ligados ao grupo terrorista Estado Islâmico (EI) não estão abrangidos pelo procedimento atual. As autoridades salientam que isso não significa proteção para todos os demais e que a legislação vigente já permitia deportações além de criminosos – o decreto simplesmente abre caminho para que isso aconteça.
Ministro de Hesse confirma remoções regulares
A mudança tornou-se pública quando o ministro do Interior de Hesse, Roman Poseck (CDU), a apresentou numa conferência de imprensa semestral em 23 de julho de 2026. Ele disse que o governo federal em Berlim criou as condições para que “zukünftig regelhafte Abschiebungen von Ausreisepflichtigen nach Afeganistão möglich sind” – que deportações regulares de pessoas obrigadas a partir sejam agora possíveis no futuro.

Poseck acrescentou que o foco do estado de Hesse continuará sendo a remoção de criminosos e ameaças à segurança, mesmo que a porta legal esteja agora mais aberta. As remoções para o Afeganistão exigem a cooperação com autoridades do Talibã para confirmar identidades e emitir documentos, um processo que o governo alemão ampliou ao longo do último ano. Relatos indicam que dezenas de homens já foram repatriados para o Afeganistão em 2026.
Organizações de direitos humanos alertam para o risco de tortura.
A Anistia Internacional criticou veementemente as deportações em massa de afegãos. A organização afirmou, em 23 de julho, que pelo menos seis afegãos sem antecedentes criminais já estão sob custódia para deportação. Sua especialista, Nina Alizadeh Marandi, alertou, em um dos casos, que o retorno “kann für ihn Verhaftung, Folter oder sogar Lebensgefahr bedeuten” – que a deportação poderia significar prisão, tortura ou até mesmo ameaça à vida.
Defensores dos direitos humanos argumentam que ninguém pode retornar em segurança a um Estado governado pelo Talibã, onde relatos de detenções arbitrárias e maus-tratos são generalizados. O Conselho de Refugiados de Hesse classificou a remoção da restrição anterior como “unverantwortlich”, ou irresponsável. Os críticos também apontam para o custo humano da detenção de pessoas que não cometeram nenhum crime, algumas das quais trabalharam e construíram suas vidas na Alemanha, antes de serem enviadas para um país do qual muitas fugiram anos atrás.
Debate dentro da coligação governamental
A decisão expôs uma divisão dentro da própria coligação. Hakan Demir, porta-voz do SPD para a imigração, opôs-se à abordagem mais abrangente e defendeu a proteção dos afegãos integrados. "Wer in Deutschland einen Arbeitsplatz hat und die deutsche Sprache spricht, sollte bleiben können", afirmou – qualquer pessoa que tenha um emprego na Alemanha e fale alemão deveria poder ficar. Ele disse que o seu partido iria abordar a questão com o seu parceiro de coligação.
Os defensores de uma linha mais rigorosa argumentam que as pessoas cujos pedidos de asilo foram negados e que possuem uma ordem de deportação válida devem retornar, e que um sistema migratório funcional depende da efetivação das deportações. A disputa reflete uma tensão mais ampla na política alemã entre a aplicação das leis e as obrigações humanitárias, e é provável que continue à medida que mais casos cheguem aos tribunais.
O que isso significa para os afegãos na Alemanha?
Para os cidadãos afegãos residentes na Alemanha, a questão prática é o seu estatuto legal. Pessoas com proteção reconhecida, autorização de residência válida ou um processo de asilo em curso não são alvo destas deportações. Os mais vulneráveis são os homens adultos solteiros cujos pedidos foram definitivamente rejeitados e que possuem uma ordem de deportação executável, mesmo sem antecedentes criminais. Qualquer pessoa que tenha dúvidas sobre a sua situação deve procurar aconselhamento qualificado o mais breve possível, em vez de esperar.
Se você ou alguém que você conhece pode ser afetado, é importante entender como funcionam os processos de deportação, custódia e apelação, e manter atualizados os documentos relativos a emprego, saúde e laços familiares, pois eles podem ser relevantes para o caso. Nossos guias sobre o assunto podem ajudar. novas regras de asilo da UE e para assistência em imigração e vistos Explique onde buscar apoio. Dada a rapidez com que a política mudou, manter-se informado e obter ajuda jurídica profissional são as proteções mais confiáveis disponíveis.
